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APRENDIZAGEM BASEADA EM PROJETOS (PROJECT-BASED LEARNING – PBL)

De acordo com PBLWorks-Buck Institute for Education (2020), Project Based Learning (PBL) ou Aprendizagem Baseada em Projetos é um método de ensino no qual os alunos aprendem participando ativamente de projetos significativos do mundo real e pessoalmente. Na aprendizagem baseada em projetos, os professores dão vida à aprendizagem para os estudantes onde trabalham em um projeto por um longo período de tempo – de uma semana a um semestre – que os envolve na solução de um problema do mundo real ou na resposta a uma pergunta complexa. Eles demonstram seus conhecimentos e habilidades criando um produto ou apresentação pública para um público real. Como resultado, os alunos desenvolvem conhecimento profundo de conteúdo, além de habilidades críticas de pensamento, colaboração, criatividade e comunicação. A Aprendizagem Baseada em Projetos libera uma energia contagiosa e criativa entre alunos e professores.

Para  Lopes et al (2018, p.1276), a Aprendizagem Baseada em Projetos, surgiu no final da década de 60 em uma Faculdade de Medicina da Universidade McMaster, na cidade de Hamilton, Canadá. Esta estratégia de estruturação de currículo foi criada com o intuito de superar a defasagem entre os anos iniciais do curso, caracterizados por uma formação dominantemente teórica, e o início da prática médica dos seus acadêmicos. 

A construção curricular por PBL permitiu que se estabelecesse uma relação de prática/teoria/prática como processo de formação dos médicos desta universidade. Recentemente, no início do ano letivo 2006-2007, o currículo de medicina da McMaster sofreu alterações para consolidar os seguintes aspectos educacionais: a ênfase no pensamento conceitual e na resolução de problemas; a ampliação das competências profissionais do currículo para priorizar o profissionalismo e as habilidades de comunicação; a melhora da interdisciplinaridade no processo de aprendizagem acadêmica e clínica; o aumento das oportunidades de colaboração entre diferentes profissionais e, o aumento da capacitação no uso de novas tecnologias. A PBL tem na situação problema o seu componente fundamental. O problema, portanto, é o ponto de partida e conduz o processo de aprendizagem, que é organizado em ciclos estruturados de atividades. (LOPES et al., p.1276, 2018).

Segundo Hillen et al.(2010), Howard Barrows é visto como um dos principais articuladores da equipe de professores formada por Jim Anderson e John Evans, que pensaram no currículo da faculdade de medicina, a partir de 1966, que foi oficialmente implantado  em 1969 . Para Delisle, 2000; O’Grady et al., (2012), com a intenção de promover o desenvolvimento das capacidades dos alunos para contextualizar os conhecimentos teóricos adquiridos na faculdade, pondo-os em prática no cotidiano, de forma competente e humana, Barrows compreendia que, para realizar esse objetivo, os médicos precisavam, além de possuir o conhecimento teórico, saber utilizá-lo na prática.

De acordo (Feuerwerker, 2002) no Brasil, no início dos anos 90, as Faculdades de Medicina de Londrina e Marília adotaram uma nova proposta curricular para a Educação Médica, sob a tutela da Fundação Kellog. Essa proposta adotava a ABP com uma orientação para a medicina comunitária conhecida como Educação Baseada na Comunidade (em inglês – Community Based Education). Fundamentava-se em documento da Organização Mundial de Saúde conhecido como: “Changing Medical Education: an agenda for action”. 

Para Lopes et al., (p.1276, 2018), no Brasil, o uso da Aprendizagem Baseada em Projetos na estruturação do currículo é mais comum em instituições de ensino superior, dentre as quais podemos mencionar: a Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo (SP); a Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Londrina (PR); a Faculdade de Medicina de Marília (SP); a Faculdade de Medicina do Centro Universitário Serra dos Órgãos (RJ) e o curso de Medicina da Universidade Federal de São Carlos (SP). Porém, na Educação Profissional brasileira, o emprego desta metodologia de ensino ainda é muito incipiente.

 

VÍDEO INDICADO

Diferença entre Aprendizagem Baseada em Projetos e em Problemas – Metodologias Ativas

 

REFERÊNCIAS

DELISLE, R. Como realizar a Aprendizagem Baseada em Problemas. Porto: ASA, 2000.

FEUERWERKER, L. Além do discurso da mudança na educação médica.São Paulo: Hucitec, 2002.

HILLEN, H.; SCHERPBIER, A.; WIJNEN, W. History of Problem-Based Learning in Medical Education. In Berkel van H. et al. (Eds.). Lessons from Problem-Based Learning. New York: Oxford University Press, p. 5-12, 2010.

LOPES et al., Aprendizagem baseada em problemas: uma experiência no ensino de química toxicológica. Disponível em: <https://www.scielo.br/pdf/qn/v34n7/v34n7a29.pdf>. Acesso em: 02 mai. 2020.

OLIVEIRA, Neide Aparecida Arruda de, MATTAR, João. Folhetim Lorenianas: Aprendizagem baseada em projetos, pesquisa e inovação responsáveis na educação. Disponível em: <https://www.pblworks.org/what-is-pbl>. Acesso em: 02 mai. 2020. 

O’GRADY, G. et al. One-day, One-problem. An approach to Problem-Based Learning. Singapore: Springer, 2012. 

PBLWORKS – Buck Institute for Education. What is PBL? Disponível em: <https://www.pblworks.org/what-is-pbl>. Acesso em: 02 mai. 2020. 


João Leandro Pereira da Silveira

SILVEIRA, J.L.P.


 

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