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SALA DE AULA INVERTIDA – EM INGLÊS, FLIPPED CLASSROOM

Conforme Bergmann e Sams (2012), Sala de Aula Invertida é o nome que se dá à metodologia que inverte a lógica de organização da sala de aula. Isto é, o conteúdo é estudado pelos alunos antes da aula presencial. O conteúdo é apresentado aos alunos por meio de recursos diversos, como videoaulas e jogos. A sala de aula é utilizada para atividades complementares, como por exemplo: tirar dúvidas em relação ao conteúdo previamente estudado, promover atividades e discussões em relação ao tema abordado.

A sala de aula invertida surgiu através de propostas do educador norte-americano (de ascendência indiana) Salman Ami Khan (fundador da Khan Academy) em meados dos anos 2000, influenciando os pesquisadores Jonathan Bergmann e Aron Sams, em 2007, a desenvolverem o seu aprofundamento teórico e prático nas salas de aula de ensino médio, nos Estados Unidos, para resolver o problema de estudantes do ensino médio que estavam ausentes nas aulas presenciais e perdiam, portanto, o conteúdo apresentado pelo professor. (BERGMAN; SAMS, 2012).

De acordo com Valente (2014, p. 86), ͞a partir dos anos 2010, o termo ͚”Flipped Classrooŵ͛” passou a ser um Chavão, impulsionado por publicações internacionais e surgiram, então, escolas de Ensino Básico e Superior que passaram a adotar essa abordagem.

Pilares fundamentais da Sala de Aula Invertida

A sala de aula invertida se baseia em 4 pilares fundamentais segundo a Flipped Learning Network:

F L I P

 

Flexible Environment – Ambiente Flexível

F A sala de aula invertida permite a adoção de uma variedade de tipos de aprendizagem. Os educadores normalmente rearranjam fisicamente a sala de aula para organizar os alunos adequadamente para uma tarefa individual ou em grupo. O educador cria condições para que muitas vezes fique a critério do aluno decidir quando e onde aprender.

Learning Culture – Cultura de Aprendizagem

L

No modelo tradicional de ensino o professor é o personagem central, além de fonte principal de informações. Contrastando este modelo, a aprendizagem invertida coloca o aluno como personagem principal e a transforma o momento em sala de aula em uma oportunidade para explorar mais profundamente os temas de estudo e criar uma aprendizagem mais enriquecedora. Desta forma, os alunos são envolvidos ativamente na construção do conhecimento na medida em que participam e avaliam o seu aprendizado de modo mais significativo.

Intentional ContentConteúdo Intencional

I

os educadores que aplicam a aprendizagem invertida normalmente procuram pensar e definir como utilizar o modelo para ajudar os seus alunos a desenvolverem um melhor entendimento conceitual e processual. Eles determinam o que deve ser explorado em sala de aula e quais materiais devem ser explorados pelos alunos no momento de auto estudo. Os educadores utilizam conteúdos intencionais para aproveitar ao máximo o tempo em sala de aula e assim adotar modelos centrados nos alunos e estratégias para a aprendizagem ativa de acordo com o nível de profundidade dos temas abordados.

Professional EducatorEducador Profissional

P

O papel do educador profissional ganha uma importância ainda maior no contexto da sala de aula invertida. Atividades como a observação dos alunos e o feedback constante e relevante nos momentos certos são atribuições importantes do educador que precisa estar preparado para se atualizar constantemente, aceitar críticas construtivas e tolerar um certo nível de caos controlado na sala de aula. Apesar do educador não ser colocado como o personagem principal ele continua a ter um papel fundamental para que a sala de aula invertida funcione.

Como funciona a Sala de Aula Invertida?

Segundo conteúdo da FLN (2014), aprendizagem invertida é entendida como uma abordagem pedagógica na qual a aula expositiva passa da dimensão da aprendizagem grupal para a dimensão da aprendizagem individual, transformando-se o espaço em sala de aula restante em um ambiente de aprendizagem dinâmico e interativo, no qual o facilitador guia os estudantes na aplicação dos conceitos. Há uma diferenciação entre os termos ͞sala de aula invertida͟ e ͞aprendizagem invertida͟, pois inverter a aula pode, mas não necessariamente, levar a uma prática de aprendizagem invertida. É provável que muitos professores já tenham invertido suas classes ao pedir aos alunos que lessem um texto ou assistissem a um vídeo, com materiais adicionais ou que, ainda, resolvessem problemas prévios antes da aula. No entanto, para se engajar na aprendizagem invertida, os professores devem incorporar quatro pilares fundamentais em sua prática, que são sintetizados na sigla ͞F-L-I-P͟ (FLN, 2014).

A sala de aula invertida prevê o acesso ao conteúdo antes da aula pelos alunos e o uso dos primeiros minutos em sala para esclarecimento de dúvidas, de modo a sanar equívocos antes dos conceitos serem aplicados nas atividades práticas mais extensas no tempo de classe (BERGMANN e SAMS, 2012; 2016). Em classe, as atividades se concentram nas formas mais elevadas do trabalho cognitivo: aplicar, analisar, avaliar, criar, contando com o apoio de seus pares e professores. Transferir palestras (exposição do conteúdo) ou informação básica para fora da sala de aula possibilita ao aluno preparação prévia para atividades de aprendizagem ativa durante a aula, que ajudam os estudantes a desenvolver sua comunicação e habilidades de pensamento de ordem superior (LAGE; PLATT e TREGLIA, 2000).

No Brasil, temos algumas universidades e escolas que já aplicam essa abordagem, como o Colégio Dante Alighlieri, das universidades UNIAMÉRICA, UNISAL, PUC do Paraná e Universidade Positivo, e do Instituto Singularidades que, em 2010, foi incorporado pelo Instituto Península e que atua na formação de professores.

Para Bergmann e Sams(2012), o domínio da flip adota os princípios do aprendizado de maestria e os casa com tecnologia moderna para criar um ambiente sustentável, reproduzível e gerenciável para o aprendizado. Os elementos-chave são os seguintes:

  • Os alunos trabalham em pequenos grupos ou individualmente em um ritmo apropriado.
  • O professor formativamente avalia alunos e mede a compreensão do aluno.
  • Os alunos demonstram o domínio dos objetivos em avaliações somativas. Para os alunos que não dominam um determinado objetivo, a correção é fornecida.

A língua dos estudantes de hoje

Segundo Bergmann e Sams(2012), os alunos de hoje cresceram com acesso à Internet, YouTube, Facebook, MySpace e uma série de outros recursos digitais. Eles normalmente podem ser encontrados fazendo seu dever de matemática enquanto mandam mensagens para seus amigos, IMing no Facebook e ouvem música ao mesmo tempo. Muitos desses alunos relatam que, quando chegam à escola, precisam se desligar e burlar as coisas porque suas escolas proíbem celulares, iPods e qualquer outro dispositivo digital. O triste é que a maioria dos estudantes carrega em seus bolsos um dispositivo de computação mais poderoso do que a grande maioria dos computadores de nossas escolas carentes de recursos – e não permitimos que eles usem.

De acordo com Bergmann e Sams(2012), uma preocupação que ouvimos dos adultos é que estamos aumentando o tempo de tela na frente de um computador, o que agrava a desconexão que muitos adultos sentem com a juventude de hoje. Para isso, dizemos que estamos nos infiltrando na cultura do vídeo / digital em vez de lutar contra isso. Não é hora de abraçar o aprendizado digital e usá-lo para ajudar nossos alunos a aprender, em vez de dizer a eles que não podem aprender com as ferramentas de hoje? Parece absurdo para nós que as escolas não tenham abraçado essa mudança.

Estudantes com dificuldades

Bergmann e Sams(2012), quando ensinávamos da maneira tradicional, os alunos que mais chamavam a atenção eram os melhores e mais brilhantes – estudantes que levantavam as mãos primeiro e faziam grandes perguntas. Enquanto isso, o restante dos alunos ouvem passivamente a conversa que tínhamos com os alunos curiosos. Mas com a introdução do modelo invertido, o nosso papel mudou; nós passamos a maior parte da nossa aula andando por aí ajudando os alunos que mais lutam. Achamos que essa pode ser a razão mais importante pela qual os alunos prosperam no modelo invertido. Isso não quer dizer que ignoramos nossos melhores alunos. Mas a maioria de nossa atenção não vai mais para eles. Agora ele é direcionado para os alunos que precisam de mais ajuda.

Para Bergmann e Sams(2012), uma das lutas nas escolas de hoje é acomodar uma vasta gama de habilidades em cada classe. Temos todos, desde estudantes que se destacam, até estudantes comuns, estudantes que lutam com nosso conteúdo, até estudantes que não sabem ler. Lançando a aula mostrou-nos o quão carentes muitos de nossos alunos eram e quão poderosa é a sala de aula invertida ao alcançar os alunos ao longo de toda essa ampla gama de habilidades.

De acordo com Bergmann e Sams(2012), como a maior parte do nosso tempo é usada para andar pela sala e ajudar os alunos, podemos personalizar o aprendizado de todos. Para os nossos alunos que entendem rapidamente o conteúdo, descobrimos que, se eles puderem provar para nós a sua compreensão de um objetivo específico, reduziremos o número de problemas que eles precisam fazer. Pense nisto como contratos individuais com cada aluno, onde o aluno tem que provar a compreensão. Esses alunos apreciam isso porque percebem que não estamos interessados ​​em trabalho pesado, mas sim em aprender.

Interação aluno-aluno

Para Bergmann e Sams(2012), um dos maiores benefícios da inversão da sala de aula é que a interação geral aumenta: de professor para aluno e de aluno para aluno. Como o papel do professor mudou de apresentador de conteúdo para treinador de aprendizado, passamos nosso tempo conversando com as crianças. Estamos respondendo a perguntas, trabalhando com pequenos grupos e orientando o aprendizado de cada aluno individualmente.

REFERÊNCIAS

BERGMANN, J.; SAMS, A. Flip your classroom: reach every student in every class every day​. USA: ISTE, 2012.

FLIPPED LEARNING NETWORK (FLN). The four pillars of F-L-I-P. South Bend, IN: Flipped Learning, 2014. Disponível em: <http://www.flippedlearning.org/domain/46>. Acesso em: 20 out 2018.

LAGE, M. J.; PLATT, G. J.; TREGLIA, M. Inverting the classroom: a gateway to creating an inclusive learning environmente. Journal of Economic Education. Bloomington, IN, v. 31, n. 1, p. 30-43, 2000.

VALENTE, J. A. Blended learning e as mudanças no ensino superior: a proposta da sala de aula invertida. Educar em Revista, Curitiba, n. 4, p. 79-97, 2014.


João Leandro Pereira da Silveira

SILVEIRA. J.LP


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