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METODOLOGIAS ATIVAS NO PROCESSO EDUCACIONAL

A metodologia tradicional de ensino se resume em aulas exclusivamente expositivas e à realização de exercícios mecânicos e descontextualizados, sendo todos planejados somente pelos professores. Os estudantes, nesse sentido, são considerados receptores passivos de informações. Sendo assim os estudantes apenas assistem à aula, o professor “passa” o conteúdo, sem que os alunos tenham qualquer participação ativa na busca de conhecimento.

O conceito de Metodologia Ativa vem ao contrário do método tradicional, segundo Pereira (2012): Metodologia Ativa entende-se todo o processo de organização da aprendizagem (estratégias didáticas) cuja centralidade do processo esteja, efetivamente, no estudante. Contrariando assim a exclusividade da ação intelectual do professor e a representação do livro didático como fontes exclusivas do saber na sala de aula.

Assim, aprendizagem ativa ocorre quando o aluno interage com o assunto em estudo – ouvindo, falando, perguntando, discutindo, fazendo e ensinando – sendo estimulado a construir o conhecimento ao invés de recebê-lo de forma passiva do professor. Em um ambiente de aprendizagem ativa, o professor atua como orientador, supervisor, facilitador do processo de aprendizagem, e não apenas como fonte única de informação e conhecimento (BARBOSA; MOURA, 2013, p.55).

Metodologia ativa não é nenhuma novidade, autores como Vygotsky (1896-1934), já falava da aprendizagem pela experiência, Dewey (1859-1952) citava a aprendizagem pela interação social, Ausubel (1918-2008) defendia a aprendizagem significativa, Paulo Freire, 1921-1997 escrevia sobre autonomia.

TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO

Com o avanço da tecnologia no meio educacional como ferramenta no processo de ensino aprendizagem, as metodologias ativas vêm cada vez mais sendo usadas pela facilidade, e velocidade que a mesma proporciona.

Seymour Papert, na linha de Piaget, já defendia na década de 60, uma didática em que o aluno usasse a tecnologia para construir o conhecimento. Sem ir tão longe, o próprio Paulo Freire era adepto de que o professor transformasse a classe num ambiente interativo, usando recursos como vídeos e televisão. “Não temos que acabar com a escola”, disse num diálogo com Papert em 1996, mas sim mudá-la completamente até que nasça dela um novo ser tão atual quanto a tecnologia (FREIRE, 1997).

Com a tecnologia na escola, imaginava-se que as metodologias educacionais saíssem do tradicional, o que não ocorreu. Na verdade o que ocorreu foi apenas uma modernização do modelo tradicional, onde antes se usava quadro e giz, agora se utiliza apresentações com projetores, onde antes se buscava a informação somente em livros, hoje se busca também na internet, o professor ainda continua sendo a centro do processo e grande detentor do conhecimento, o ambiente escolar ainda continua com carteiras enfileiradas e os estudantes assistem passivamente na maioria das aulas.

Segundo Pierre Lévy (1993) a tecnologia não pode ser considerada autônoma, separada do homem, da sociedade e da cultura, pois é um produto desta mesma sociedade e cultura. É preciso entender que os efeitos das tecnologias variam ao longo do tempo e acarretam mudanças de paradigmas sociais, econômicos, afetivos e educacionais. Nosso cotidiano não pode mais ser imaginado sem a tecnologia inserida em praticamente todos os setores da vida humana. Com o desenvolvimento de novos meios de difusão, a informação deixou de ser uma prerrogativa, uma fonte exclusiva do educador na escola.

O método ativo não necessariamente necessita da tecnologia para acontecer, mas é fato que atualmente não tem como não pensar nela como ferramenta no processo de ensino e aprendizagem.

O PAPEL DA ESCOLA

A escola precisa mudar, suas práticas educacionais precisam ser renovadas pelos profissionais da educação, as metodologias de ensino e o ambiente escolar precisam se adequar aos estudantes de hoje.

A escola precisa encarar seu papel, não mais apenas de transmissora do saber, mas de ambiente de construção do conhecimento. Os alunos precisam saber aprender, saber onde encontrar as informações de que precisam e ter autonomia para lidar com essas informações, avaliando, questionando e aplicando aquelas que julgarem úteis e pertinentes. Para isso é preciso que a escola abra mão de um conteúdo ou uma “matéria” rigidamente predeterminada, e seja capaz de administrar a flexibilidade exigida daqueles que querem adotar uma postura de construção de conhecimento. Assim, conseguiremos partir do que os alunos já sabem (e não do que já deveriam saber ou do que a escola acredita de antemão que eles não saibam) e ajudá-los a conquistar novos espaços. (COSCARELLI, 2005, p.32).

Como nos afirma Moran (1993, p.28):

Temos que desenvolver processos de comunicação ricos, interativos cada vez mais profundos. Abrir as escolas ao mundo, à vida. Criar ambientes de ensino e aprendizagem mais atraentes, envolventes e multisensoriais. Apoiar a introdução de novas tecnologias de comunicação possíveis a cada etapa, dentro de um projeto pedagógico inovador, que facilitam o processo de ensinoaprendizagem. Sensibilizar para novos assuntos trazem informações novas, diminuem a rotina, nos ligam com o mundo, aumentam a interação, permitem a personalização (adaptação do trabalho ao ritmo de cada aluno) porque trazem para a sala de aula as linguagens e os meios de comunicação do dia-a-dia.

Para que tudo ocorra é necessário o envolvimento e dedicação de todos os profissionais da educação neste processo.

PAPEL DO PROFESSOR

Para que este processo aconteça o papel do professor é fundamental como mediador, buscando novas formas de ensinar, procurando estratégias inovadoras e diferenciadas mais adequadas para se chegar à aprendizagem significativa.

Em um ambiente de aprendizagem ativa, o professor atua como orientador, supervisor, facilitador do processo de aprendizagem, e não apenas como fonte única de informação e conhecimento (BARBOSA; MOURA, 2013, p.55).

PAPEL DO ESTUDANTE

O papel do estudante com a aprendizagem ativa é ir à busca do conhecimento, não mais ficar esperando a transmissão do conhecimento pelo professor como ainda ocorre no modelo tradicional.

Assim, aprendizagem ativa ocorre quando o aluno interage com o assunto em estudo – ouvindo, falando, perguntando, discutindo, fazendo e ensinando – sendo estimulado a construir o conhecimento ao invés de recebê-lo de forma passiva do professor. (BARBOSA; MOURA, 2013, p.55).

Assim como a escola o estudante também precisa mudar, durante muito tempo ele foi doutrinado a ir a escola para receber a transferência do conhecimento pelo professor.

Por isso que a mudança deve ser gradativa e realizada aos poucos mesclando no início a metodologia ativa com o método tradicional pouco a pouco e a escola também precisa ir se adequando ao novo modelo.

REFERÊNCIAS

BARBOSA, E. F. & MOURA, D. G. Metodologias ativas de aprendizagem na Educação Profissional e Tecnológica. B. Tec. Senac, Rio de Janeiro, v. 39, n.2, p.48-67, maio/ago. 2013.

COSCARELLI. C. V.: RIBEIRO. Ana Elisa (orgs). Letramento Digital. Aspectos sociais e possibilidades pedagógicas. Belo Horizonte. Ceale: Autêntica, 2005.

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. 51. ed. São Paulo: Cortez Editora, 1997.

LÉVY. P. As tecnologias da inteligência. Ed.34. Rio de Janeiro: Loyola, 1993.

MORAN, J. M. A escola do amanhã: desafio do presente – educação, meios de comunicação e conhecimento. Tecnologia Educacional. São Paulo. V.22(113 – 114) jul/out.1993.

PAPERT, S. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.


João Leandro Pereira da Silveira

SILVEIRA. J.LP


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